GADE coloca Lins em foco

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Reflexões sobre o momento econômico do Brasil

 

“Assim o trabalho tornou-se profundamente degradado; do ponto de vista do trabalhador, seu único objetivo é ganhar a vida, enquanto a finalidade exclusiva do empregador é aumentar os lucros”.

(Fritjof Capra, físico e filósofo austríaco, em “O Ponto de Mutação” – 1982)

No último dia 10 de agosto, no Hotel Palace Cristal, aconteceu o 12º encontro do Grupo de Apoio ao Desenvolvimento Econômico de Lins – GADE. A ocasião contou com a presença de consultores da FECOMERCIO – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, que estiveram na cidade se reunindo com sindicatos regionais da categoria, juntamente com dirigentes da Federação.

 

 

Na oportunidade, 42 membros do GADE tiveram a oportunidade de discutir, com esses consultores, dois temas de interesse do empresariado: as novas regras da legislação trabalhista no Brasil e alguns dados econômicos sobre a cidade, a região e o país, principalmente os relacionados ao setor do comércio varejista.

advogado Paulo Igor falou sobre as novas regras da legislação trabalhista, com base na Lei 13.467 de 13 de julho de 2017, e que entrarão em vigor no próximo mês de novembro. O empresariado presente comemorou as principais novidades da reforma, entre elas a prevalência dos acordos coletivos sobre a lei em pontos específicos, o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical e a colocação de obstáculos ao ajuizamento de ações trabalhistas.

O palestrante detalhou muitas das alterações que estão previstas na nova lei, tais como as possibilidades de parcelamento das férias em três vezes, de demissão em comum acordo, de diminuição do intervalo para almoço, da negociação individual do banco de horas …

O assunto despertou tanto interesse dos presentes, que o Presidente do Sincomércio de Lins, Luiz Carlos Gardini, iniciou tratativas com o profissional para uma nova apresentação na cidade, onde os empresários e os profissionais do setor pudessem discutir o assunto com mais detalhes. Assim que confirmada essa nova apresentação, o evento será amplamente divulgado.

Sobre os dados econômicos falou o Mestre em Economia e Política Fábio Pina, consultor de empresas na área de inteligência de negócios e gerente da assessoria econômica da Fecomércio.

 

O Mestre Fábio citou alguns dados de Lins, principalmente sobre Emprego e PIB Setorizado, mas trabalhou mais os dados da economia brasileira e os da Região Administrativa de Bauru, na qual está inserida a região de Lins. Fez uma análise em tom otimista, mas com reservas,

Comparativo, por setor, entre contribuição para o PIB e geração de empregos, na cidade Lins

A comparação permite perceber uma tendência, que não é apenas local, que tem se replicado por todo o país. O Valor Adicionado no PIB pela indústria, por emprego, é maior do que o mesmo índice na área de serviços, onde a utilização da mão de obra é mais intensa.

Para justificar seu otimismo, o palestrante discorreu sobre algumas pesquisas recentes realizadas no estado de São Paulo. Mostrou, na pesquisa de receitas do varejo paulista, que começa a se sentir uma reação do faturamento no estado, com crescimento de 5,6% nas receitas de maio de 2017, em comparação ao mesmo mês de 2016, e 3,3% de aumento no acumulado neste ano.

Na região de Bauru o índice dos últimos 12 meses acumulados ainda é negativo em 1,1%, mas o acumulado de 2017 já está no ponto do equilíbrio “zero”, sendo que o crescimento de maio (6,4%) superou a média total do Estado (5,6%).

Mostrou que os indicadores de confiança entre consumidores e empresários atingiram em 2017 níveis excelentes, recuperando-se da grande queda sofrida durante o ano de 2015.

Mostrou, também, que a produção física industrial, começou a apresentar crescimento positivo pela primeira vez nos últimos 3 anos, chegando a crescer 4 pontos em maio último.

Sob o título de “Conclusões e Olho Aberto”, o Mestre Fábio Pina Fez algumas projeções para o cenário econômico do país, que transcrevemos em seguida:

“ Projeção de crescimento de 1% do PIB: mais otimista do que a média. O desenrolar da crise tem sido relativamente tranquilo depois de momentos de tensão;

Cenário político no Brasil é sempre complicado, começava a se acalmar e o encaminhamento das reformas estava favorável. Após momentos mais incertos o Governo parece recuperar a capacidade de encaminhar as reformas. É isso que mostram indicadores como câmbio, Bolsa e risco país;

Há um ambiente favorável de queda de inflação, queda de juros, boas exportações, e redução dos riscos políticos (que mesmo assim sempre são altos no Brasil);

Produção e Consumo vão consolidando a retomada e o primeiro semestre do ano fecha de forma positiva;

Inflação controlada ainda com tendência de queda. Já se encontra abaixo do centro da meta quase atingindo o piso (que é 2,5%). Com isso juros tendem a cair para um dígito logo no começo do segundo semestre (ao redor de 9%);

Confiança de Consumidores e Empresários dá sinais, após o viés de baixa, de retomada. Vale esperar os indicadores de agosto para confirmar a retomada da tendência;

Nova rodada de alta da confiança depende do emprego, produção e, com certeza da solidificação da governabilidade, que se expressará em possibilidade de avanço das reformas;

Emprego: começam a ser geradas vagas no mercado de trabalho segundo o Caged, e esse desempenho tende a se acelerar no segundo semestre;

Vendas do Varejo podem crescer entre 3% e 5% neste ano em São Paulo e um pouco menos no Brasil;

Indústria está crescendo já no primeiro trimestre do ano com ênfase em Bens de Capital e Duráveis, o que indica que esse crescimento tende a ser mais perene;

Setor externo foi o primeiro a dar sinais positivos e continua a surpreender positivamente. O saldo comercial ultrapassa os US$ 60 bilhões em 12 meses terminados em junho, há forte fluxo de investimentos diretos e a tendência é de que muito capital aporte no Brasil no segundo semestre SE houver aprovações das principais reformas;

Risco geral estava se reduzindo com o encaminhamento das reformas. Para 2018 o ambiente pode voltar a se turvar um pouco a depender do cenário eleitoral;

Toda análise de confiança e de mercado (investimento) tem que ser avaliada sob os recentes fatos políticos em andamento. O tom mais para otimista da análise conjuntural, volta após dois meses de pessimismo. 

De resto, vale a pena mencionar que os dados e a análise do profissional são voltados para a saúde da economia do país. O aspecto social merece uma discussão a partir de outros elementos que não apenas os apresentados pela Fecomércio.

“Não basta garantir os direitos de propriedade e a livre operação dos mercados e enaltecer a concorrência “pura e perfeita” para se chegar a uma sociedade justa próspera e harmoniosa. A tarefa, infelizmente, é mais complexa do que isso”.

(Thomas Piketty, economista francês em “O Capital no século XXI” – 2014)

 

AUTORIA: ADETEC